Quem Foi Robespierre?

Maximilien François Marie Isidore de Robespierre nasceu em 6 de maio de 1758 em Arras, no norte da França. Filho de um advogado que abandonou a família, cresceu sob os cuidados de parentes e foi bolsista no prestigioso Collège Louis-le-Grand em Paris — onde curiosamente estudou ao mesmo tempo que Camille Desmoulins, futuro jornalista revolucionário.

Formado em Direito, voltou a Arras como advogado. Distinguiu-se por defender casos de pobres e marginalizados, e por escrever artigos críticos ao sistema judiciário do Ancien Régime. Sua reputação de integridade pessoal — ele nunca aceitava subornos e vivia modestamente — lhe rendeu o apelido pelo qual a história o conhece: L'Incorruptible, o Incorruptível.

O Ascenso Político

Em 1789, Robespierre foi eleito deputado pelo Terceiro Estado de Arras para os Estados Gerais. Na Assembleia Nacional Constituinte, destacou-se como orador inflamado, sempre defendendo os direitos dos mais pobres e o sufrágio universal masculino. Tornou-se figura central no Clube dos Jacobinos, a facção mais radical dos revolucionários.

Suas posições incluíam:

  • Abolição da escravidão nas colônias francesas.
  • Direito de voto para todos os homens, independentemente de riqueza.
  • Direito de resistência à opressão.
  • Forte desconfiança das elites moderadas e dos girondinos.

O Comitê de Salvação Pública e o Terror

Em 1793, a França enfrentava ameaças por todos os lados: guerra com as potências europeias, levantes internos (como o da Vendeia) e traições internas. Nesse contexto de crise total, Robespierre tornou-se o membro mais influente do Comitê de Salvação Pública, o órgão executivo que governava a República em estado de emergência.

O período conhecido como o Terror (setembro de 1793 – julho de 1794) foi marcado por:

  • Execuções em massa via guilhotina — estima-se entre 16.000 e 40.000 mortes, dependendo da metodologia usada.
  • Perseguição de todos os considerados "inimigos da República", de monarquistas a revolucionários moderados.
  • Execução da rainha Maria Antonieta (outubro de 1793) e do próprio Danton (abril de 1794).
  • O chamado culto ao Ser Supremo, uma nova religião cívica que Robespierre tentou impor em substituição ao Catolicismo.

A Contradição de Robespierre

O grande paradoxo histórico de Robespierre é que um homem que começou defendendo os pobres e combatendo a pena de morte tornou-se o símbolo do governo pelo terror. Historiadores debatem até hoje se ele foi um fanático ideológico, um estadista desesperado em tempos de guerra ou um produto trágico das circunstâncias.

O próprio Robespierre justificava o Terror com uma lógica sinistra: "O terror nada mais é do que a justiça rápida, severa e inflexível. É, portanto, uma emanação da virtude."

Thermidor e a Guilhotina do Incorruptível

Em 9 Thermidor do Ano II (27 de julho de 1794), seus próprios aliados no Comitê se voltaram contra ele, temendo ser as próximas vítimas. Robespierre foi preso na Assembleia, numa cena dramática em que tentou se suicidar com um tiro de pistola — ferindo apenas sua mandíbula.

No dia seguinte, 28 de julho de 1794, Maximilien Robespierre foi guilhotinado na Place de la Révolution, ao lado de Saint-Just e outros aliados. O mesmo instrumento que ele tanto utilizara contra seus inimigos foi o fim do Incorruptível. Tinha 36 anos.

Sua execução encerrou o período do Terror e abriu caminho para o governo mais moderado do Diretório — mas deixou para a história um legado ambíguo sobre os limites entre revolução e tirania.